segunda-feira, 31 de maio de 2010

ABRIL EM PEDAÇOS

Não precisa esperar por mim,
Não que eu vá com Você,
Mas quero que vá sozinho mesmo.
O Diabo o receberá de braços abertos, eu sei.
Sei que não é por acaso
As perdas me acalentam
Não há meias verdades em meus dedos,
Eles só seguem, vãos,
Poesia abstrata para faze-lo silenciar
De que me vale a chuva se não ouço nada além da sua voz?

Não se desgaste por mim,
Você pode ser tão lindo e tão livre,
Eu só quero ficar aqui agora,
Vejo a estrada das cores por minhas mãos

Cale a boca!
Vá!
Voe!

Não vou atender o telefone,
Eu posso viver no meu ritmo,
Eu tenho outra musicalidade agora,
Mas posso voltar pro meu ritmo se eu quiser,
Quando eu não me importar mais,
Simplesmente posso voltar ao meu ritmo.
Eu me adapto a você,
E você já vai pensando
Que eu preciso realmente de alguém.
Todos pensam assim...

Estou tão cansada,
Não me interessa mostrar o que sei,
Sei bem mais por que eu posso saber,
E suas correntes me cansam.

Saiba que eu tenho a chave,
Saiba que eu posso ir quando bem entender...
Ficou aqui olhando a estrada de meus dedos,
Eu sou a estrada,
Eu sou o que tenho em minhas mãos,
Eu tenho tudo em minhas mãos agora,
Você esta do lado de fora,
Meu corpo esta fechado.


Posso voltar para minha canção no meu ritmo
Posso sair e deixá-lo chorar.

Só quero que vá embora,
Não espere por mim.
Quero ouvir a chuva do inverno cinza,
Quero o silencio do meu ritmo.

Escolha ficar
Que eu irei sem você,
Quando chegar o mês de Abril.

Eu o escolhi,
Mas você não aprendeu a fazer escolhas,
Ainda não aprendeu...

Não espere por Abril
Escolha ficar
Que eu irei sem você...
Eu irei sem você...

domingo, 30 de maio de 2010

LEMBRANÇAS À TOA POR MOTIVO NENHUM

Da piscina de lona,
das palmeiras na janela da sala,
do pé de limão,
dos brinquedos pela casa,
dos vizinhos (eram muitos)
da familia reunida...

dos móveis velhos e rústicos,
da casa iluminada e ventilada,
onde demorava anoitecer...
dos cachorros no quintal
da chuva absorvida pelo solo,
de manhã, nas cadeiras de bambu, esperando a estiagem...

da merenda na lancheira,
das clientes pintando as unhas,
da tarefa de casa,
dos passarinhos,
do passeio de domingo na casa da avó...

do medo de trovão,
do medo de morrer,
do medo de não conseguir,
do medo de não aprender,
da ânsia de crescer...

[...]

tantas outras lembranças à toa,
numa caixa qualquer lá no sotão.
Tantas outras esvaziadas à força,
jogadas na caixa esquecida na calçada...

"O tempo voa" voce precisa correr,
Rima, métrica, ritmo, técnica, tudo sempre saber,
Aprenda, surpreenda, força!
"cresça e apareça" moça!

[...]

Das canções de tempo,
Das sinfonias de bichos,
Dos sonhos dos meninos...
Caixas tão cheias por aí...

Vazio aqui, alexandrinos.